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2.11.09

Animais humanos


Hoje apanhei o gato da minha avó e as pernas dela, num daqueles momentos eternos vividos à volta de um animal que é quase um humano. É impressionante como os animais são inteligentes, perspicazes e ternos. O gato da minha avó parece que sabe que ela está e se sente sozinha e é incrível como a acompanha sempre, para todo o lado, como se fosse uma espécie de anjo protector. Confesso que não sou grande amante de gatos, mas este... adoro!

1.11.09

Quem...

...não se lembra de ir pedir o "pão por Deus"? Na minha aldeia sempre foi tradição e tenho boas recordações deste dia, com as minhas amigas Dulce e Joana, com quem percorri muitas casas a recitar o Pai Nosso e a cantar. As pessoas gostavam muito de nós e trazíamos sempre um saco enorme de ofertas, que no final partilhávamos! Boas memórias, com muita ternura...

20.10.09

Tento...

...pensar em coisas que gosto para afastar os pensamentos negativos. Não sei porquê, hoje vêm-me à ideia os chimpanzés, que amo desde pequena. Sou capaz de ficar horas a observá-los, encantada, no Jardim Zoológico, ou num programa da National Geographic. Acho-os tão parecidos connosco que só me dá vontade de rir enquanto os observo, como se me risse de mim própria, embora eles sejam, na verdade, muito mais divertidos, genuínos e descontraídos que nós!
Hoje apetece-me dizer: adoro...

...chimpanzés!

18.10.09

O coração pode sempre ter abrigo

Os livros infantis de José Jorge Letria chamam-me sempre a atenção, são absolutamente deliciosos e, quase sempre, se aplicam a qualquer idade. Por isso, quando há dias vi esta nova obra, não resisti a lê-la. Na voz de um sem-abrigo, este livro retrata os seus dias vividos na rua, depois de ter decidido "passar a ponte" para uma vida sem ligação ao mundo "normal". Nessa vida, há um ser que ocupa o lugar principal do seu coração: Lobito, o cão amigo que o acompanha sempre e o liga ao mundo dos afectos, afastando-o um pouco da total solidão. É uma história triste, mas bonita, que nos faz pensar nas relações humanas de uma forma mais relativa. Muitas vezes, um animal pode ser a única companhia que dá um sentido à vida.

"Não, não estou a chorar. Foi uma folha seca arrastada pelo vento que me bateu no olho e o deixou vermelho e a arder. Tu sabes que um sem-abrigo não chora. Porquê? Porque deixou o saco das lágrimas do outro lado da ponte, antes de fazer a grande e definitiva travessia. Há coisas que é tempo de aprenderes."

José Jorge Letria, in "Coração sem Abrigo"

24.8.09

Espinhos

Enquanto conduzia para o trabalho, encontrei mortos na estrada dois ouriços. Não é nenhuma novidade, toda aquela zona deve estar povoada destes simpáticos animais, porque é comum encontrá-los a passear de noite (são principalmente noctívagos) e fazer manobras muitas vezes perigosas para mim para os salvar das rodas assassinas do meu carro.

O meu avô, conhecendo o meu encantamento por estes bichos, às vezes apanhava um e punha-o dentro de uma lata. Chamava-me depois, sempre com um sorriso maroto, e retirava a tampa com muito jeitinho. Eu tinha sempre medo que fosse alguma partida e que de dentro da lata saísse algum animal que me deixasse aterrorizada... Mas a alegria dele era ver a minha cara, primeiro receosa, depois a abrir-se num sorriso, com os olhos a brilhar, e fascinada a observar aquele animal, aparentemente tão dócil. No entanto, mal o meu avô lhe tocava ao de leve com um pau, o ouriço enrolava-se numa bola perfeita, abrindo os seus espinhos, que luziam imponentes, numa reacção simultânea de protecção e de ataque. Eram sempre momentos deliciosos, em que o mundo à minha volta parecia parar e mesmo agora que os recordo, continuam a ter o mesmo poder de me deixar suspensa no tempo.

Sinto-me como um ouriço neste momento. Ao mínimo toque, enrolo-me sobre mim própria e mostro os espinhos, naquilo a que os psicólogos, como eu, chamam de reacção de defesa... Não gosto de me sentir assim, não quero ser assim. Dos ouriços quero apenas conservar a memória feliz dos tempos de criança e de adolescente, quero apenas continuar a desviar-me para os deixar seguir, tranquilamente, o seu caminho. Quero recolher os espinhos e voltar a sorrir, sem medo e sem mágoas. Quando, não sei...