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26.5.10

Uma rosa especial...

No dia da espiga dei um passeio pela serra e, miraculosamente, encontrei uma rosa albardeira, cada vez mais rara, mas de uma beleza estonteante. Rara porque, infelizmente, o ser humano é estranho e, em vez de admirar o nascimento e o crescimento de uma flor no seu habitat natural, colhe-a e entrega-a a uma jarra sem vida, onde rapidamente se esvai e perde toda a beleza que só a ligação à terra-mãe lhe dá. Por aqui, é conhecida como "rosa-cuca", por supostamente florescer na altura da chegada dos cucos-canoros. Esta rosa começa a ficar "famosa" e ainda bem! Primeiro a Marta descobriu que "havia vida" numa simples flor nascida por entre pedras numa serra distante, e hoje descobri eu, graças ao Rui, que brevemente irá andar na boca do povo, através do João Gil... Adoro a "minha" rosa-cuca e esta descoberta constante de que as coisas mais simples são mesmo as mais belas!

"vi uma rosa-albardeira
ai se eu pudesse colhia-a
mas disse-me um passarinho
que se a colhesse morria

que se a colhesse morria
pois não se dá prisioneira
meu amor, eu não sabia
que eras a rosa-albardeira

fui-te a ver e não voltei
deixei pai, deixei mãe
e a casa onde nasci
és para mim a primeira
queira deus ou não queira
já não me largo de ti

fui-te a ver ao pé da serra
a tua rosa foi minha
e semeei-te na terra
à noite pela fresquinha

um dia quando eu partir
fica a nossa sementeira
de nós dois há-de florir
mais uma rosa-albardeira

fui-te a ver e não voltei
deixei pai, deixei mãe
e a casa onde nasci
és para mim a primeira
queira deus ou não queira
já não me largo de ti"

João Gil

13.3.10

Pinheiros enamorados


Tenho uma paixão por árvores e adoro andar a passear e a observá-las, de todas as formas e feitios. Faço-o mesmo enquanto conduzo, é quase um vício e acaba por ser também uma forma de relaxar e de me distrair. E descubro sempre árvores lindas, cheias de personalidade e de histórias para contar (quando se dispõem a falar...). :) Ontem não resisti fotografar estes dois pinheiros, que vivem na mata em frente à Escola, e que são um poema. São dois pinheiros completamente independentes (embora aqui não se veja bem), mas que se unem numa perfeita simbiose como se estivessem a beijar, apaixonados e alheios aos gritos dos miúdos que por ali andam a aproveitar os primeiros raios de sol. É incrível. Lindo!

18.2.10

Crescer na floresta

Há uns meses atrás, uma amiga disse-me, a propósito da minha angústia, que eu era como uma árvore. Para crescer precisava de espaço, de encontrar o meu próprio espaço, precisava que as outras árvores, que sempre tinham estado muito perto de mim, se afastassem um pouco, para que eu pudesse encontrar o meu lugar na floresta. Nunca mais me esqueci desta ideia e em momentos de maior sofrimento tento lembrar-me dela e do poder do seu significado. Hoje, com algum tempo e enquanto o sol despontava e acalmava as nuvens mais negras, passeei um pouco pelo campo, a observar e a pensar nisto. As árvores, quando crescem todas juntas acabam por ficar atrofiadas e nunca se desenvolvem como poderiam desenvolver se tivessem um pouco mais de espaço, o seu espaço. Basta olhar à nossa volta e reparar nisso. As árvores maiores, mais frondosas e diferentes são aquelas que estão um pouco mais afastadas das outras. As que estão muito juntas são quase todas iguais, com a sua individualidade, é certo, mas sem grandes diferenças que nos façam reparar mais numa que noutra. Ser diferente é difícil, tentar seguir o nosso próprio caminho dói muito, às vezes implica até alguma solidão, crescer não é tão cor-de-rosa como as histórias infantis mostram, mas se queremos ser nós próprios e não apenas uma cópia do que todos os outros são, o sacrifício há-de valer a pena. Vale, pelo menos, na nossa consciência e no nosso coração.

17.2.10

As acácias...

...já estão em flor!