Sinto-me em casa. Estranhamente, sinto-me em casa. Cada vez mais me sinto em casa.
Onde é, afinal, a nossa casa?... Hoje fico a pensar nisto e a recordar imagens que não mais me sairão da memória.
No meu "baú" estão muitos tesouros, todos aqueles que fazem parte da minha memória, onde ficarão para sempre guardados os sentimentos, os saberes e os afectos que vou vivendo ao longo dos dias...
Começo a sentir um friozinho na barriga. Faltam sete dias e há tanta coisa para preparar, tanta coisa para arrumar e não esquecer! É o repelente de mosquitos, o leque, o protector solar de protecção máxima, o chapéu, boletins de vacinas, cópias de documentos, fotografias tipo passe sobressalentes, toalhetes, fato de banho, chinelos, calças (e nunca calções!), mochila, máquina fotográfica, material de escrita (computador nem pensar, claro...), uma espécie de farmácia que me ocupa quase metade da mala... e quantas mudas de roupa levar? Terei calor? E se estiver frio e não levar nenhum agasalho? Levo saco-cama ou não vale a pena? O que me apetece fazer é deixar isto tudo de lado, pegar numa mochila, pô-la às costas e não levar nada!! Ir, só indo, levando-me apenas a mim mesma e aos meus sonhos... É incrível como estamos tão dependentes de tanta coisa inútil! Só a preparação de uma viagem como esta me está a fazer pensar nisso de uma forma como nunca pensei. O que preciso mesmo? O que é essencial? Será que se não levar algumas destas coisas não sobrevivo? Chego à conclusão que o que é essencial não se pode pôr numa mala porque simplesmente não cabe em lado nenhum. Esta bagagem ainda vai dar que falar!...