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19.6.10

À sombra de um embondeiro...


"Na viagem para África, porém, esse sonho rodopiou. Talvez tivesse esperado demaisado tempo. Nessa espera, aprendi a gostar de ter saudade. Recordo os versos do poeta que diziam «eu vim ao mundo para ter saudade». Como se apenas pela ausência eu me povoasse interiormente. Seguindo o exemplo dessas casas que só se sentem quando estão vazias. Como esta casa que agora habito."

Mia Couto, in "Jesusalém"

18.6.10

Com os pés em África


Ainda me sinto nas nuvens. Ou melhor, com os pés na terra, mas na de África. Hoje disseram-me que África é como o colo de uma mãe. Talvez seja isso, sim. Se for, eu quero voltar a ser criança para nunca mais sair desse colo. Sinto agora que sempre ali estive, que sempre estarei. Encontrei um sentido para o apelo que senti desde sempre e que muitas vezes não compreendia. Os cheiros, as cores, os olhares, as mãos, a pele, a música, a dança, o ritmo, o calor… tudo me enche a alma e me prende lá, ainda. E o céu estrelado como nunca vi na última noite que lá passei… Ou o pôr-do-sol sobre as dunas partilhado com a Maria da Luz e a Matilde… Tudo me prende, tudo me liberta. Em África senti-me livre, como nunca antes me tinha sentido.


Sou forçada a regressar aos poucos a um mundo que quase não reconheço. Não consigo dormir, sonho que ainda lá estou. Vejo-me rodeada de todos aqueles meninos e sorrio. Não consigo parar de sorrir. Estou lá, ainda e sempre. Agora sei.

15.6.10

Ao regressar...

...trago esperança no olhar e muitos mais sonhos para concretizar!
Ainda com todos os pensamentos em África...

28.5.10

Bagagem

Começo a sentir um friozinho na barriga. Faltam sete dias e há tanta coisa para preparar, tanta coisa para arrumar e não esquecer! É o repelente de mosquitos, o leque, o protector solar de protecção máxima, o chapéu, boletins de vacinas, cópias de documentos, fotografias tipo passe sobressalentes, toalhetes, fato de banho, chinelos, calças (e nunca calções!), mochila, máquina fotográfica, material de escrita (computador nem pensar, claro...), uma espécie de farmácia que me ocupa quase metade da mala... e quantas mudas de roupa levar? Terei calor? E se estiver frio e não levar nenhum agasalho? Levo saco-cama ou não vale a pena? O que me apetece fazer é deixar isto tudo de lado, pegar numa mochila, pô-la às costas e não levar nada!! Ir, só indo, levando-me apenas a mim mesma e aos meus sonhos... É incrível como estamos tão dependentes de tanta coisa inútil! Só a preparação de uma viagem como esta me está a fazer pensar nisso de uma forma como nunca pensei. O que preciso mesmo? O que é essencial? Será que se não levar algumas destas coisas não sobrevivo? Chego à conclusão que o que é essencial não se pode pôr numa mala porque simplesmente não cabe em lado nenhum. Esta bagagem ainda vai dar que falar!...

20.4.10

Em Junho...

...no país dos embondeiros...

17.4.10

Projecto...



...de vida...

Quando se ama o que se faz e se encontra o sentido para a vida, tudo à volta se transforma e o mundo pode mesmo mudar! A magia e a poesia acontecem das formas e nos locais mais improváveis... Comovente, inspirador, uma prova de amor pelos livros, mas, acima de tudo, pelas pessoas que os lêem e que, graças a essa leitura, podem viajar por todos os mundos que nunca vão conhecer a não ser dessa forma!...

14.4.10

"Palavras com Objectiva"

Não podia deixar de divulgar neste espaço esta exposição, que será, tenho a certeza, um sucesso e que espero poder visitar para me deixar encantar, ainda mais, com a maravilha que é o trabalho e a sensibilidade de Sonja Valentina e de PAS[Ç]SOS.
Esta será uma "exposição de imagens e palavras..., porque há imagens que se escrevem e palavras que se fotografam, a preto e branco para colorir viagens". E esta viagem vai ser muito colorida!

Pedaços...


...de momentos de descanso, longe do mundo, em comunhão com a natureza e comigo própria.
Sabor a mar, a peixe, a pão fresco pendurado na porta, a madeira, a rosmaninho e alecrim, a passarinhos a cantar só para mim, a leituras, a pensamentos, a descobertas, a sonhos, a saudades, a música, a flores, a sol, a conchas, a luz da manhã a beijar-me o rosto... sabor a tudo e a nada... a amargo e a doce... sabor a vida!...

7.4.10

Os próximos dias...

...são para cuidar de mim!

30.12.09

Estou...

...de partida.
Apesar do coração apertado, estarei em viagem nos próximos dias e só regresso já num ano novo.
Desejo a todos que 2010 seja um ano muito mais feliz que o que agora acaba e, acima de tudo, que tenham muita, muita saúde!
Tudo de bom!

1.12.09

Labirinto

Hoje saí de casa bem cedo, mais cedo do que é costume (acho que me ando a habituar a este horário mais "madrugador), decidida a vencer alguns desafios e a conseguir fazer sozinha algumas coisas. Primeiro, conduzir no Porto. Safei-me, embora me tenha perdido e tenha andado alguns cinquenta quilómetros para conseguir voltar onde queria... Mas cheguei! Depois, fazer compras no IKEA. Umas estantes, uma cómoda, entre outras coisas. Quase desesperei! Não houve uma única pessoa que me desse uma ajuda para transportar as embalagens, pesadas demais, por sinal. A resposta foi sempre igual: "não é suposto andar sozinha nesta loja"... À terceira vez que me responderam assim, apeteceu-me gritar: "mas qual é o problema de andar sozinha?! Mas uma pessoa não pode fazer compras sozinha?!". Que raiva! Senti-me mesmo perdida, apeteceu-me largar tudo e desatar a chorar. Mas tinha decidido e cumpri! Teimosa... Se alguém me apanhou com as câmaras de vigilância deve-se ter rido à farta, mas depois de muito esforço lá consegui pôr tudo no carro, sozinha! E orgulhosa! Bem, confesso que quando entrei no carro telefonei ao meu irmão em desespero a pedir ajuda para tirar as coisas quando chegasse a casa... mas que consegui, consegui! :) E, depois de um dia negro, cheio de chuva e nevoeiro, quando cheguei a casa o sol brilhava e bem forte. Apesar do sofrimento, é bom saber que somos sempre mais resistentes do que pensamos.


15.11.09

Estou...



...completamente apaixonada pelo Alentejo. Hoje passei o dia ao sol, deitada em enormes almofadas, com uma temperatura de 22º, numa casa absolutamente fascinante, literalmente no meio do nada, onde os únicos sons eram o do vento, do badalo das ovelhas e do cão pastor e da água, a correr de tanque para tanque. Pela casa, cheia de vida, quadros de cores vibrantes, recantos de imenso bom gosto, e livros... um deles da Anita, os meus livros preferidos de criança, que já não via há imenso tempo... outro, maravilhoso, com desenhos de Helena Abreu e poesia de António Gedeão:

"(...)Quando te sentires perdida
fecha os olhos e sorri.
Não tenhas medo da vida
que a vida vive por si."

Delícia. Encontrei o refúgio ideal.

25.8.09

Estrada

O caminho que faço todos os dias quando vou trabalhar é de uma beleza rara. Posso-me dar ao luxo de dizer que não há semáforos nem filas de trânsito, às vezes sou obrigada a parar, mas apenas para ver atravessar algum rebanho ou outros tipos de animais, sobretudo de noite, como ratinhos, lebres, raposas ou até javalis.

De dia, é maravilhoso ver o sol reflectir-se nas diferentes tonalidades de verde que vou descobrindo ao longo do caminho. Passo pelas vinhas, que vão mudando a cor da sua roupagem consoante as estações do ano, e pelos montes Melo e Gerumelo, que me fazem lembrar a lenda ouvida desde pequenina e que, apesar de tão perto, nunca visitei o Castelo de Germanelo.

Vejo rostos marcados pela vida, mas sorridentes. As senhoras, de batas floridas e lenços no cabelo, seguem atarefadas na sua lida. Os homens sentam-se nos muros de pedra, a trocar conversas ou apenas a partilhar silêncios. Vejo sempre o mesmo idoso, sentado exactamente no mesmo sítio, a olhar espantado os carros que passam. Penso sempre quem será aquele senhor, que histórias teria para contar, no que pensa ao ver passar a vida à sua frente. Sentir-se-á triste? Sozinho? Tranquilo? Satisfeito com os anos que já viveu? À espera de alguma coisa que teima em não chegar?... Sigo, absorta nos meus pensamentos, mas com vontade de parar e conversar com ele.

Mais à frente vejo uma eira coberta de milho, a secar ao sol. Ontem, quando regressava para casa, estavam a fazer a descamisada, como se ali o tempo não tivesse passado e ainda se vivesse o "antigamente". Não posso deixar de me lembrar de como era simultaneamente estranho e divertido descalçar-me e fazer com os pés os carreirinhos no milho, estendido na eira da minha avó. Adorava fazer aquelas estradinhas e sentir o calor dos bagos de milho entre os dedos dos pés.

Continuo o meu caminho. A paisagem começa a mudar, entro na serra, com os típicos e lindíssimos carvalhos da serra de Sicó, os tradicionais moinhos de vento ao longe, no Outeiro, os pinheiros e os eucaliptos. Quando abro o vidro, o cheiro a terra e a ervas invade o carro e, com Ansião no horizonte, não posso deixar de me sentir uma privilegiada por ter acesso a esta dádiva logo pela manhã...

9.5.09

De volta a casa

É bom voltar a casa, aquela sensação de olhar à volta e ver e sentir as nossas coisas, que representam toda uma vida e os momentos mais importantes. Fotografias, um livro especial, papéis desarrumados na secretária, CD's (a minha música!...), a manta onde me enrolo todas as noites, as pantufas, a almofada que tenho desde pequena, o meu carro... e as pessoas! Aquelas pessoas de quem sentimos uma falta e uma saudade maior que todo o mundo e que sabemos que dão sentido à vida e à nossa existência...
Mas há sempre algo que muda depois de uma viagem. Foram tão poucos dias e sinto-me tão diferente, parece que passou um ano! Ver outras pessoas, uma cultura diferente, espaços, cores, cheiros, tudo me faz sentir maior e mais pequenina ao mesmo tempo. Como se crescesse e encolhesse no mesmo momento. Maior porque mais rica, com novas experiências e sensações, pequenina porque ganho maior consciência de que sou apenas mais uma pessoa neste mundo gigantesco!