2.5.10
25.4.10
Liberdade!
2.4.10
21.3.10
A poesia cura...
A ESTRADA BRANCA
Atravessei contigo a minuciosa tarde
deste-me a tua mão, a vida parecia
difícil de estabelecer
acima do muro alto
folhas tremiam
ao invisível peso mais forte
Podia morrer por uma só dessas coisas
que trazemos sem que possam ser ditas:
astros cruzam-se numa velocidade que apavora
inamovíveis glaciares por fim se deslocam
e na única forma que tem de acompanhar-te
o meu coração bate
José Tolentino Mendonça, in "A Estrada Branca"
19.3.10
Único amor perfeito
José Luís Peixoto, in "Morreste-me"
8.3.10
Ser mulher
14.2.10
Fui...
ESPERA
Dei-te a solidão do dia inteiro.
Na praia deserta, brincando com a areia,
No silêncio que apenas quebrava a maré cheia
A gritar o seu eterno insulto,
Longamente esperei que o teu vulto
Rompesse o nevoeiro.
Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Mar"
29.12.09
Cheirinho a bebé ao fim da tarde
27.12.09
Lugares e histórias de amor
25.12.09
Hoje...

...passei a tarde em Fátima, recolhida, em silêncio e em oração. Pedi por todos os que me são queridos e agradeci, muito, porque apesar de toda a tristeza tenho que dar graças a Deus por muita coisa, sobretudo pela saúde, pelas capacidades que tenho e pelos amigos que me têm acarinhado. Hoje até fui "adoptada" por uma família de Estrelas! :) Apesar do frio cortante e da chuva, vivia-se no Santuário um silêncio raro, sentia-se a intensidade da oração de todos os que deixaram o conforto de sua casa para estar ali, mais perto de Deus. Foi uma tarde especial, num dia triste, mas em que encontrei esperança na luz que se acendeu à minha frente, numa simples vela.
24.12.09
15.12.09
Saúde e amor!
Este ano, pela primeira vez, não comemorarei o Natal, aliás, desejo que passe o mais depressa possível e, por isso, este é o único post que aqui colocarei sobre esta data, apenas para desejar a todos o melhor Natal do mundo! Acima de tudo, desejo duas coisas: saúde, porque podemos ter problemas e dificuldades, mas enquanto tivermos saúde podemos fazer tudo, tudo! E amor, porque não há nada mais bonito que uma família unida, em harmonia. E no Natal, como em qualquer altura do ano, aquilo que todos nós mais queremos é sermos e sentirmo-nos amados. Desejo-vos, a todos, um Natal muito feliz, do fundo do coração!
Esta é, talvez, das músicas mais parvas de Natal, mas a que mais gosto e me apetece cantar, desde que me lembro...
13.11.09
O tempo...
...vai escasseando para poder escrever. Os dias têm sido intensos e estou cheia de trabalho, por isso este espaço está um pouco mais vazio. Mas continuo a pensar, todos os dias, no que de melhor me vai acontecendo. Apesar da tristeza ou da incerteza, há sempre coisas boas na nossa vida, pelas quais devemos dar graças! Uma delas, esta semana, foi o aniversário da minha avó Estrela, a melhor avó do mundo, a melhor amiga, a melhor companheira, a melhor mulher, a melhor tudo! Tenho uma admiração cada vez maior pela super mulher que é e pela forma como tem vivido e encarado o dia-a-dia. Um exemplo. Uma dádiva.1.11.09
Quem...
...não se lembra de ir pedir o "pão por Deus"? Na minha aldeia sempre foi tradição e tenho boas recordações deste dia, com as minhas amigas Dulce e Joana, com quem percorri muitas casas a recitar o Pai Nosso e a cantar. As pessoas gostavam muito de nós e trazíamos sempre um saco enorme de ofertas, que no final partilhávamos! Boas memórias, com muita ternura...31.10.09
Enigma resolvido!
29.10.09
Há...

...28 anos, eu era assim!
Hoje é dia de comemorar a vida, mas também de fazer um balanço do que já vivi e de sonhar ou projectar o que quero ainda viver.
Não posso deixar de ir ao baú e rever fotografias de momentos marcantes do meu percurso de vida. Em todas elas um traço comum: o brilho no olhar e o sorriso. Isso faz-me pensar e recordar que tive a sorte de ter, até aqui, uma vida feliz, repleta de instantes mágicos, a que estão associadas também muitas pessoas que me acompanharam ao longo destes anos e que para isso contribuíram. Hoje assume-se que "é dia de festa", mas para mim é também dia de alguma melancolia e de muita saudade, de recordar quem já não está comigo e me faz tanta falta para me dar um abraço com amor e ternura.
20.10.09
Momentos simples, mas marcantes
Duas marcas de um dia agitado, mas com um momento especial: a estrelinha no céu a olhar por mim... Sei que está lá sempre. A "abóbora" de tecido (pregadeira) feita pelos maravilhosos idosos da E. e a rosa branca (a minha preferida) da L.E, no meu tapete fofinho onde todos os dias relaxo os pés cansados, descalços. Obrigada às duas pelos miminhos, que ficaram no meu coração e me devolveram um sorriso infantil, próprio de quem recebe um presente, sentindo que é amado por alguém.
12.9.09
Recordar...

HUMANIDADE
Na tarde calma e fria que circula
por entre os eucaliptos e a distância,
e a névoa consentida pelos montes,
névoa não subindo por não ser
fumo da vida que trabalha e teima,
e olhando uma verdura fugitiva
que a noite no céu queima tão depressa,
esqueço-me que há gente em cada parte,
gente que, de sempre, sofre e morre,
e agora morre mais ou sofre mais,
esqueço-me que a esperança abandonada,
a não ser de ninguém, é sempre minha,
esqueço-me que os homens a renovam,
que o fumo dos seus lares sobre nos ares...
Esqueço-me de ouvir cheirar a Terra,
esqueço-me que vivo... E anoitece.
Jorge de Sena, in "A Arte de Jorge de Sena"
Parabéns Papá e Avô!
Do meu pai e do meu avô Branco herdei sobretudo o culto pelo silêncio. Sempre me lembro do meu pai e do meu avô calados, mas sempre atentos e presentes. Utilizam poucas palavras, mas certeiras e incisivas. Demorei muito tempo a entender o silêncio de pai e filho, mas cada vez mais o admiro e sinto-o também como meu.
O meu pai e o meu avô, exemplos de responsabilidade, de trabalho e de sacrifício pela família. O meu pai e o meu avô.

AS MÃOS DO MEU PAI
As tuas mãos têm grossas veias
como cordas azuis
Sobre um fundo de manchas
já da cor da terra
Como são belas as tuas mãos
Pelo quanto lidaram, acariciaram
Ou fremiram
da nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos
meu velho pai
Essa beleza que se chama
simplesmente vida.
E, ao entardecer,
quando elas repousam nos braços
da tua cadeira predilecta,
Uma luz parece vir
de dentro delas...
Vira dessa chama
que pouco a pouco, longamente,
viste alimentando
na terrível solidão do mundo.
Como quem junta uns gravetos
e tenta acendê-los
Contra o vento.
Ah, como os fizeste arder,
fulgir, com o milagre das tuas mãos.
E é, ainda, a vida
que transfigura as tuas mãos nodosas...
Essa chama de vida –
que transcende a própria vida...
e que os anjos,
um dia,
chamarão de alma...
Mário Quintana
30.8.09
Mãe...
Palavras para a Minha Mãe
mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.
pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.
às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.
lê isto: mãe, amo-te.
eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.
José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"
Poema à Mãe
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.
Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade
...Desculpa mãe, mas "as minhas pernas cresceram"...




