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2.5.10

Mamã...


mãe, eu sei que ainda guardas mil estrelas no colo.
eu, tantas vezes, ainda acredito que mil estrelas são
todas as estrelas que existem.

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

25.4.10

Liberdade!



Há muitas músicas, essencialmente músicas e imagens, que associo a Abril. Esta é uma das mais marcantes, porque desde menina que o meu pai a canta, com um entusiasmo como raramente lhe vi noutras coisas. Claro que às vezes não era bem esta a versão... era uma um pouco mais... atrevida, mas a mensagem estava lá! :) "Somos livres de voar"!

2.4.10

Desejo...

...a todos uma Páscoa feliz!

21.3.10

A poesia cura...

Imagem: Duy Huynh

A ESTRADA BRANCA

Atravessei contigo a minuciosa tarde
deste-me a tua mão, a vida parecia
difícil de estabelecer
acima do muro alto

folhas tremiam
ao invisível peso mais forte

Podia morrer por uma só dessas coisas
que trazemos sem que possam ser ditas:
astros cruzam-se numa velocidade que apavora
inamovíveis glaciares por fim se deslocam
e na única forma que tem de acompanhar-te
o meu coração bate

José Tolentino Mendonça, in "A Estrada Branca"

Nota: Hoje é um dia especial: comemoramos a chegada da Primavera, o Dia da Árvore e o Dia da Poesia! Só coisas boas que enchem a minha vida de luz!

19.3.10

Único amor perfeito


Descansa, pai, dorme pequenino, que levo o teu nome e as tuas certezas e os teus sonhos no espaço dos meus. Descansa, não vou deixar que te aconteça mal. Não se aflija, pai. Sou forte nesta terra e nos meus pés. Sou capaz e vou trabalhar e vou trazer de novo o mundo que foi nosso. Vou mesmo, pai. O mundo solar. Reconhecê-lo-ei, porque não o esqueci. E também o tempo será de novo, e também a vida. Sem ti e sempre contigo. A tua voz a dizer orienta-te, rapaz. Não se apoquente, pai. Eu oriento-me. E vou.

José Luís Peixoto, in "Morreste-me"
...Ao meu pai...
...Ao meu avô, que foi pai...
...A todos os pais, raízes eternas de ternura na vida dos seus filhos.

8.3.10

Ser mulher

Não posso deixar de pensar hoje nas mulheres da minha vida. A minha avó-velha (a bisa), de quem tenho tantas saudades, as minhas avós, a minha mãe, a minha tia Mimi, a tia Júlia, a tia Emília, as professoras que me marcaram, a começar pela minha educadora da pré, a Augusta, algumas amigas, principalmente a Paula, que tem passado por tanto e continua a manter um espírito positivo invejável e admirável, e tantas, tantas outras que através de várias formas vieram parar à minha vida e me ensinaram a ser mais eu. Penso também em mim, que tenho suportado muito mais do que pensava ser possível, e é assim que me sinto cada vez mais mulher. Com tudo o que tenho vivido no último ano, tenho aprendido a admirar-nos cada vez mais. Somos muito mais do que pensamos, resistentes, fortes, capazes de tudo aquilo que os outros, sobretudo os homens, acham que nós não somos capazes. Temos, ao mesmo tempo, uma sensibilidade especial para o que nos rodeia e que faz com que, apesar de muitas dificuldades que possamos passar, nos mantenhamos sempre afáveis, preocupadas, meigas, carinhosas, capazes de abrir o coração e de amar sempre mais e mais. Cada vez gosto mais de ser mulher e tenho orgulho em mim e no que tenho conseguido fazer, apesar das contrariedades. Hoje é um dia para pensar assim, para pensar mais em mim e nas mulheres que mais amo. A todas dedico este poema...

14.2.10

Fui...


...ver o mar...


...e apanhar conchas na areia...


ESPERA

Dei-te a solidão do dia inteiro.
Na praia deserta, brincando com a areia,
No silêncio que apenas quebrava a maré cheia
A gritar o seu eterno insulto,
Longamente esperei que o teu vulto
Rompesse o nevoeiro.


Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Mar"

29.12.09

Cheirinho a bebé ao fim da tarde

Hoje fui visitar o bebé da minha amiga Gi, que está há uns anos no Luxemburgo e, por isso, raramente temos oportunidade de estarmos juntas. Ainda não conhecia o Zé Diego e estava ansiosa! Adorei sentir a mãozinha dele na minha, forte e suave, e o cheirinho a bebé, tão saboroso! A Gi é uma amiga muito especial dos tempos de escola, que conheci no secundário e com quem estabeleci uma relação muito forte, que se vem mantendo ao longo dos anos. Passámos juntas muitos momentos felizes, outros bastante difíceis, e é engraçado vê-la agora no papel de mãe. Faz-me pensar que já somos mulheres, que estamos a mudar, mas que nos mantemos fiéis ao que sempre fomos, apesar de todas estas mudanças. Apesar da distância, parece sempre que ainda ontem nos vimos, porque é sempre uma festa e nunca falta conversa. Admiro muito a minha amiga por tudo o que já passou na vida e pela capacidade que teve sempre para ultrapassar as dificuldades. É bom senti-la agora tão feliz e realizada. Foi um fim de tarde maravilhoso e estou ansiosa que chegue Agosto para nos podermos voltar a ver e para participar no baptizado do Zézito!

27.12.09

Lugares e histórias de amor

Hoje passei o dia a passear em Viseu, com três amigas muito especiais, entre sorrisos, recordações e novidades. Viseu é uma cidade linda, sobretudo com o frio e com as iluminações de Natal. Acho que é mesmo uma cidade de Inverno! Já conhecia um pouco, mas hoje redescobri-a com outro olhar, mais atento e curioso. Caminhámos imenso, com tempo e calma, na zona histórica, perto do rio, visitámos o Museu Grão Vasco (recuperado há poucos anos com um projecto de Eduardo Souto de Moura e lindíssimo!). As pessoas são acolhedoras, sentia-se uma magia no ar, um sentimento de tranquilidade e alegria que nos contagiou. Por isso, hoje, posso dizer que me senti... feliz! Fiquei especialmente comovida por saber que a minha amiga M. está apaixonada e tão, tão feliz! Desejo o melhor para ela, pois merece e muito! É emocionante ouvir uma história de amor tão bonita, em que o destino ganha uma força tão grande, onde e quando menos se esperava. Parece que ganhamos uma nova esperança na... vida! Adorei!

25.12.09

Hoje...


...passei a tarde em Fátima, recolhida, em silêncio e em oração. Pedi por todos os que me são queridos e agradeci, muito, porque apesar de toda a tristeza tenho que dar graças a Deus por muita coisa, sobretudo pela saúde, pelas capacidades que tenho e pelos amigos que me têm acarinhado. Hoje até fui "adoptada" por uma família de Estrelas! :) Apesar do frio cortante e da chuva, vivia-se no Santuário um silêncio raro, sentia-se a intensidade da oração de todos os que deixaram o conforto de sua casa para estar ali, mais perto de Deus. Foi uma tarde especial, num dia triste, mas em que encontrei esperança na luz que se acendeu à minha frente, numa simples vela.

24.12.09

A minha música, hoje

15.12.09

Saúde e amor!

Natal sempre foi sinónimo de alegria e felicidade para mim. Tenho boas recordações desta época, da noite de consoada e do Dia de Natal. Recordações de ir apanhar musgo ao pinhal para fazer o presépio, em casa e na Igreja, de andar a comprar presentes para toda a gente de quem gostava, de comer os filhóses quentinhos feitos pela minha avó, de ficar até às tantas da madrugada a ver todos os filmes e o Circo, de estar à lareira a queimar os papéis dos presentes... enfim, recordações de família, de amor, de harmonia.
Este ano, pela primeira vez, não comemorarei o Natal, aliás, desejo que passe o mais depressa possível e, por isso, este é o único post que aqui colocarei sobre esta data, apenas para desejar a todos o melhor Natal do mundo! Acima de tudo, desejo duas coisas: saúde, porque podemos ter problemas e dificuldades, mas enquanto tivermos saúde podemos fazer tudo, tudo! E amor, porque não há nada mais bonito que uma família unida, em harmonia. E no Natal, como em qualquer altura do ano, aquilo que todos nós mais queremos é sermos e sentirmo-nos amados. Desejo-vos, a todos, um Natal muito feliz, do fundo do coração!
Esta é, talvez, das músicas mais parvas de Natal, mas a que mais gosto e me apetece cantar, desde que me lembro...

13.11.09

O tempo...

...vai escasseando para poder escrever. Os dias têm sido intensos e estou cheia de trabalho, por isso este espaço está um pouco mais vazio. Mas continuo a pensar, todos os dias, no que de melhor me vai acontecendo. Apesar da tristeza ou da incerteza, há sempre coisas boas na nossa vida, pelas quais devemos dar graças! Uma delas, esta semana, foi o aniversário da minha avó Estrela, a melhor avó do mundo, a melhor amiga, a melhor companheira, a melhor mulher, a melhor tudo! Tenho uma admiração cada vez maior pela super mulher que é e pela forma como tem vivido e encarado o dia-a-dia. Um exemplo. Uma dádiva.

1.11.09

Quem...

...não se lembra de ir pedir o "pão por Deus"? Na minha aldeia sempre foi tradição e tenho boas recordações deste dia, com as minhas amigas Dulce e Joana, com quem percorri muitas casas a recitar o Pai Nosso e a cantar. As pessoas gostavam muito de nós e trazíamos sempre um saco enorme de ofertas, que no final partilhávamos! Boas memórias, com muita ternura...

31.10.09

Enigma resolvido!

Não sei o que fiz, mas o meu último post desapareceu... Que pena! Era um resumo de pedaços de um dia feliz, que foi o meu dia de aniversário. Nele falava das "misteriosas" 28 rosas brancas que alguém mandou entregar-me logo de manhã. Já sei quem foi! Obrigada Lurdes, Anabela e Ermelinda!... Deixaram-me comovida com a generosidade, mas a verdade é que me fizeram feliz, por isso muito, muito obrigada! É a prova que pequenos grandes gestos podem ter um grande impacto num dia ou até na vida!...

29.10.09

Há...


...28 anos, eu era assim!

Hoje é dia de comemorar a vida, mas também de fazer um balanço do que já vivi e de sonhar ou projectar o que quero ainda viver.
Não posso deixar de ir ao baú e rever fotografias de momentos marcantes do meu percurso de vida. Em todas elas um traço comum: o brilho no olhar e o sorriso. Isso faz-me pensar e recordar que tive a sorte de ter, até aqui, uma vida feliz, repleta de instantes mágicos, a que estão associadas também muitas pessoas que me acompanharam ao longo destes anos e que para isso contribuíram. Hoje assume-se que "é dia de festa", mas para mim é também dia de alguma melancolia e de muita saudade, de recordar quem já não está comigo e me faz tanta falta para me dar um abraço com amor e ternura.

Hoje, comigo, este espaço comemora também a sua existência. Há precisamente um ano atrás pensei criar este "baú", para partilhar um pouco da minha vida, dos meus sentimentos e pensamentos. Não posso deixar de estar feliz por isso, também, pois é uma forma de muitos amigos que estão mais longe me irem acompanhando e terem notícias minhas. Para além disso, este espaço devolveu-me o prazer pela escrita, pela emoção de exprimir em palavras e por imagens aquilo que sinto. Só por isso, já valeu a pena iniciar mais este projecto!

20.10.09

Momentos simples, mas marcantes


Duas marcas de um dia agitado, mas com um momento especial: a estrelinha no céu a olhar por mim... Sei que está lá sempre. A "abóbora" de tecido (pregadeira) feita pelos maravilhosos idosos da E. e a rosa branca (a minha preferida) da L.E, no meu tapete fofinho onde todos os dias relaxo os pés cansados, descalços. Obrigada às duas pelos miminhos, que ficaram no meu coração e me devolveram um sorriso infantil, próprio de quem recebe um presente, sentindo que é amado por alguém.

12.9.09

Recordar...



...Jorge de Sena, no dia em que o escritor regressou a Portugal...





HUMANIDADE

Na tarde calma e fria que circula
por entre os eucaliptos e a distância,

olhando as nuvens quase nada rubras
e a névoa consentida pelos montes,
névoa não subindo por não ser
fumo da vida que trabalha e teima,
e olhando uma verdura fugitiva
que a noite no céu queima tão depressa,
esqueço-me que há gente em cada parte,
gente que, de sempre, sofre e morre,
e agora morre mais ou sofre mais,
esqueço-me que a esperança abandonada,
a não ser de ninguém, é sempre minha,
esqueço-me que os homens a renovam,
que o fumo dos seus lares sobre nos ares...
Esqueço-me de ouvir cheirar a Terra,
esqueço-me que vivo... E anoitece.

Jorge de Sena, in "A Arte de Jorge de Sena"

Parabéns Papá e Avô!

Hoje, o meu pai e o meu avô paterno fazem anos. Este sempre foi um dia especial, porque os aniversários eram comemorados a dobrar. Este ano torna-se ainda mais especial, porque é o nonagésimo aniversário do meu avô Branco!
Do meu pai e do meu avô Branco herdei sobretudo o culto pelo silêncio. Sempre me lembro do meu pai e do meu avô calados, mas sempre atentos e presentes. Utilizam poucas palavras, mas certeiras e incisivas. Demorei muito tempo a entender o silêncio de pai e filho, mas cada vez mais o admiro e sinto-o também como meu.
O meu pai e o meu avô, exemplos de responsabilidade, de trabalho e de sacrifício pela família. O meu pai e o meu avô.


AS MÃOS DO MEU PAI

As tuas mãos têm grossas veias
como cordas azuis

Sobre um fundo de manchas
já da cor da terra

Como são belas as tuas mãos
Pelo quanto lidaram, acariciaram
Ou fremiram
da nobre cólera dos justos...

Porque há nas tuas mãos
meu velho pai
Essa beleza que se chama
simplesmente vida.

E, ao entardecer,
quando elas repousam nos braços
da tua cadeira predilecta,
Uma luz parece vir
de dentro delas...

Vira dessa chama
que pouco a pouco, longamente,
viste alimentando
na terrível solidão do mundo.

Como quem junta uns gravetos
e tenta acendê-los
Contra o vento.

Ah, como os fizeste arder,
fulgir, com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
que transfigura as tuas mãos nodosas...

Essa chama de vida –
que transcende a própria vida...

e que os anjos,
um dia,
chamarão de alma...


Mário Quintana

30.8.09

Mãe...

...Parabéns!...



Palavras para a Minha Mãe

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.


José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"



Poema à Mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.


Eugénio de Andrade


...Desculpa mãe, mas "as minhas pernas cresceram"...