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19.6.10

Mãos que semeiam sonhos


Numa das noites de partilha à volta da mesa, dediquei este poema aos meus companheiros de missão. Para que se lembrem sempre que, por muito que seja preciso esperar, todas as sementes lançadas à terra com amor dão fruto.
É preciso nunca deixar de sonhar e de acreditar!

Guarda a tua seiva para as raízes e os dedos para a colheita.
E depois detém-te a olhar o fruto, crescendo devagar,
nas tardes que demoram até ao verão. Que te seja redondo,
ao côncavo da mão, e nele reconheças o gosto e o perfume

mesmo antes de tocar-lhe; morde-o longamente com os olhos –
é neles que a polpa faz mais sede e a pele transpira
com o fulgor da cera. E não consintas vento, nem abelhas,
nem que nele repousem outros olhos, muito mais pequenos,
como os que trazem as aves voltando do Inverno. Deixa

o teu nome no pomar durante a noite – há mãos que nunca
dormem e a espera pode tornar os frutos ociosos.
Mas para mais ninguém este se avoluma, à tua boca prometido.
Embala-o então com a verdade antes de partires.
Cerca-o com os teus olhos. Mostra-lhe os dedos
que irás um dia confiar-lhe.

E assim o tempo devolvê-lo-á inteiro a seu tempo, vermelho
e tenro, doce, à espessura dos lábios.

Maria do Rosário Pedreira, in "A Casa e o Cheiro dos Livros"

12.5.10

Às vezes...

...há mãos de onde nascem borboletas.

Tenho que partilhar uma experiência que hoje me encheu de esperança nas pessoas. Temos por hábito criticar com bastante facilidade os profissionais de saúde, eu própria já o fiz várias vezes. É verdade que já assisti (e senti na pele) a comportamentos menos adequados para alguém cuja missão é cuidar da pessoa humana, mas também é verdade que muitas vezes acontece precisamente o contrário. E mais facilmente apontamos os pontos fracos do que os fortes. Elogiar, reforçar positivamente, dar feedback é algo que não é fácil e a que, culturalmente, não estamos habituados. Hoje posso dizer que fui excepcionalmente atendida, quer por administrativos, quer por enfermeiros e médicos, em qualquer um dos três serviços a que me dirigi. Pode até ser coincidência, que seja, o importante é que todas estas pessoas me acolheram com um sorriso, foram disponíveis (mesmo para além daquilo que já era o seu horário de trabalho), atenciosas e extremamente profissionais ao mesmo tempo. Fiquei, confesso, agradavelmente surpreendida e feliz, sentimento esse que o resto do dia (não tão positivo, por sinal), não conseguiu apagar. A verdade é que as borboletas que aqueles profissionais de saúde tinham nas mãos esvoaçaram ao meu lado todo o dia. Servir alguém com um sorriso pode, mesmo fazer a diferença.

8.5.10

25000!

Obrigada!...

26.4.10

Laços


Há momentos em que também é preciso parar e agradecer àqueles que, mesmo à distância, nos fazem sentir que não estamos sós, mas sim unidos por laços de afecto, que apesar de invisíveis, se tornam quase palpáveis.
Essa é uma das magias da vida.