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26.5.10

Uma rosa especial...

No dia da espiga dei um passeio pela serra e, miraculosamente, encontrei uma rosa albardeira, cada vez mais rara, mas de uma beleza estonteante. Rara porque, infelizmente, o ser humano é estranho e, em vez de admirar o nascimento e o crescimento de uma flor no seu habitat natural, colhe-a e entrega-a a uma jarra sem vida, onde rapidamente se esvai e perde toda a beleza que só a ligação à terra-mãe lhe dá. Por aqui, é conhecida como "rosa-cuca", por supostamente florescer na altura da chegada dos cucos-canoros. Esta rosa começa a ficar "famosa" e ainda bem! Primeiro a Marta descobriu que "havia vida" numa simples flor nascida por entre pedras numa serra distante, e hoje descobri eu, graças ao Rui, que brevemente irá andar na boca do povo, através do João Gil... Adoro a "minha" rosa-cuca e esta descoberta constante de que as coisas mais simples são mesmo as mais belas!

"vi uma rosa-albardeira
ai se eu pudesse colhia-a
mas disse-me um passarinho
que se a colhesse morria

que se a colhesse morria
pois não se dá prisioneira
meu amor, eu não sabia
que eras a rosa-albardeira

fui-te a ver e não voltei
deixei pai, deixei mãe
e a casa onde nasci
és para mim a primeira
queira deus ou não queira
já não me largo de ti

fui-te a ver ao pé da serra
a tua rosa foi minha
e semeei-te na terra
à noite pela fresquinha

um dia quando eu partir
fica a nossa sementeira
de nós dois há-de florir
mais uma rosa-albardeira

fui-te a ver e não voltei
deixei pai, deixei mãe
e a casa onde nasci
és para mim a primeira
queira deus ou não queira
já não me largo de ti"

João Gil

22.5.10

Nunca é tarde para realizar um sonho!


Não sei explicar porque motivo, mas África esteve sempre no meu pensamento. Desde muito pequena que me lembro de me imaginar a ir, a ficar, a fazer alguma coisa de útil para quem mais precisasse. Sempre me imaginei a ser feliz lá. Fui sempre adiando este sonho, em parte por medo. Medo de não conseguir, de não me adaptar, de deixar aqui os que mais amo e de acontecer alguma coisa e eu não poder estar, medo... Mas há momentos na nossa vida em que uma série de circunstâncias, nem sempre felizes, nos fazem ir remexer no baú e buscar aquilo que é a nossa essência e que sabemos que precisamos ser e fazer. E o momento é agora. África não podia esperar mais. Ou eu não podia esperar mais por África, talvez seja isso. Por isso vou. Parto para a semana, com todos os sonhos no coração e a vontade de fazer algo diferente, por mim e pelos outros.
Vou integrada na Missão Aventura Solidária, da AMI. Uma forma diferente de viajar e de conhecer por dentro as missões desta organização. Uma forma de ajudar a financiar um projecto numa comunidade local e de conhecer de perto a realidade, a cultura, as pessoas. São dez dias, neste caso no Senegal, na construção de um Centro de Costura, que vai contribuir para a formação profissional das mulheres da comunidade rural em que este se situa e que pode ajudar a criar alguns empregos, evitando assim a migração para os centros urbanos, onde cada vez há menos condições de vida e maior pobreza.
Vai ser mesmo uma aventura! Não conheço ninguém do grupo e ontem comecei a perceber um pouco a realidade que vou encontrar, mas que acho que só entenderei na totalidade quando lá aterrar. Falta de água (que pode chegar a dias), calor provavelmente insuportável, falhas de electricidade, inexistência de internet, dormir no chão, partilhar o dia-a-dia em acampamento com mais 16 pessoas, lidar com bichos a que não estou habituada... enfim, uma série de dificuldades a que vou ter que me adaptar e que, acredito, mudarão a minha forma de ver e de sentir este mundo em que vivemos.
Partilharei aqui algumas das emoções e dos momentos vividos neste projecto, que tenho a certeza serão muitos e imensamente especiais!


Um abraço especial ao Edgar Neves, que me despertou ainda mais o bichinho... e à L.E., que nos momentos mais difíceis trouxe tanta luz a este espaço! Obrigada!

22.2.10

Dos olhares nascem olhares

O mundo da blogosfera tem destas coisas. Muitas vezes encontramos pessoas com quem nos identificamos ou cujo trabalho é especial. Uma das pessoas que encontrei recentemente e que se encaixa neste "perfil" é a Sonja Valentina. Cheguei até ao seu blog por outro que visito diariamente e de que gosto muito também. Foi amor à primeira vista. Gosto imenso de fotografia e fiquei encantada com o trabalho da Sonja e com aquilo que me transmite. É como se sentisse que o meu olhar vê o que o dela vê, é estranho talvez, mas não sei explicar melhor. Para além disso, tem sido de uma grande simpatia e disponibilidade, o que é raro nos dias de hoje. E, por acaso, através do blog dela fui parar a outro onde o autor escreve textos a partir de imagens. Achei piada à ideia e senti vontade de fazer o mesmo. Muitas vezes, olho para uma fotografia e mentalmente imagino uma história, por isso, porque não passá-la para o papel? Foi assim que surgiu o poema que escrevi ontem e esta primeira "história", se é que lhe posso chamar assim, sem qualquer compromisso de continuar, até porque nem sempre tenho vontade de escrever. Foi, para já, uma experiência.

8.2.10

Parabéns!...


...querida Cláudia! Num dia tão especial como o de hoje, quero agradecer-te... pela companhia, por me ligares tantas vezes e te preocupares sempre comigo, por me tirares de casa, por me levares ao cinema e adivinhares as cenas em que choro, por ires comigo comprar gomas e logo a seguir barritas que substituem uma refeição (para a culpa não ser tão grande), por me dizeres todos os dias "tu és forte, muito forte", por não me "dares na cabeça" como e quando fazem todos os outros (embora eu saiba que às vezes te apetece), pelos abraços que me deixam toda despenteada e me apertam as orelhas, por me ouvires sempre com toda a paciência (mesmo quando repito dez vezes a mesma coisa), por me dizeres "oh, tão bonito" e me fazeres sentir que tenho valor, por saberes como me sinto só de olhar para mim, por me fazeres rir à gargalhada pelas coisas mais disparatadas (és a única pessoa que consegue isso nos últimos meses), e por tantas, tantas outras coisas, que podem parecer simples, mas que são tão importantes e me fazem sentir a tua amizade sempre presente. Como costumo dizer, sem ti a minha vida seria muito mais triste! Adoro-te! Até quando estamos com "depressão"! :)

Um miminho para saberes que estou sempre aqui...

30.12.09

Medo e esperança

Hoje comprei flores para alegrar a minha casa. Estava a precisar e a verdade é que um espaço com flores tem logo outra graça, outra luz. Parece que estava a pressentir que ia precisar desta energia positiva. Recebi a notícia ao fim do dia, o meu avô B. não está nada bem e, por isso, a noite hoje é de oração e de aperto no coração. Às vezes parece que tudo nos acontece e é difícil conseguir adormecer com o medo da perda a bater à porta. Queria conseguir estar mais perto, em todos os sentidos, e poder aliviar estas dores. Peço a Deus que o faça.

Há pouco recebi a visita da minha amiga Ana, que me trouxe estes peixinhos. Estava a precisar de vida cá em casa e, como não posso ter um cão ou um gato, adorei a ideia dos peixinhos! Só mesmo a Ana para se lembrar de me fazer rir assim! Os peixinhos já têm nome: D. Quixote e Dulcineia. Não sei bem se são macho ou fêmea porque não sei distinguir o sexo nos peixes... :) Mas achei por bem ser um casal, até porque eles parecem muito agitados e andam sempre juntinhos!

Foi muito bom passar a noite a conversar sobre a vida. Tinha muitas saudades de uma conversa assim e fez-me bem matar saudades e receber e dar colinho. Dar e receber afecto é das melhores coisas da vida, mesmo que por vezes nos sintamos tão impotentes para conseguir dar um pouco mais de felicidade a quem precisa. Amiga, muita força para ti também e obrigada, por tudo! E Londres espera por nós!... :) Melhores dias virão, para todas nós, que vivemos entre o medo e a esperança.

29.12.09

Cheirinho a bebé ao fim da tarde

Hoje fui visitar o bebé da minha amiga Gi, que está há uns anos no Luxemburgo e, por isso, raramente temos oportunidade de estarmos juntas. Ainda não conhecia o Zé Diego e estava ansiosa! Adorei sentir a mãozinha dele na minha, forte e suave, e o cheirinho a bebé, tão saboroso! A Gi é uma amiga muito especial dos tempos de escola, que conheci no secundário e com quem estabeleci uma relação muito forte, que se vem mantendo ao longo dos anos. Passámos juntas muitos momentos felizes, outros bastante difíceis, e é engraçado vê-la agora no papel de mãe. Faz-me pensar que já somos mulheres, que estamos a mudar, mas que nos mantemos fiéis ao que sempre fomos, apesar de todas estas mudanças. Apesar da distância, parece sempre que ainda ontem nos vimos, porque é sempre uma festa e nunca falta conversa. Admiro muito a minha amiga por tudo o que já passou na vida e pela capacidade que teve sempre para ultrapassar as dificuldades. É bom senti-la agora tão feliz e realizada. Foi um fim de tarde maravilhoso e estou ansiosa que chegue Agosto para nos podermos voltar a ver e para participar no baptizado do Zézito!

28.12.09

Obrigada!...


Nos últimos dias tenho tido manifestações de carinho por muitas pessoas amigas a quem tenho que agradecer profundamente. Há fases tão tristes em que parece que por muito que tenhamos nada vale a pena, mas posso dar graças a Deus por ter amigos que se preocupam e me têm envolvido em ternura, sobretudo nestes dias mais especiais. Ontem recebi miminhos com grande significado afectivo, que vou guardar com muito amor: a foto da Lia (a princesa morenaça mais linda do mundo!), a mantinha para me embrulhar nas noites mais frias, o gel de cacau e de côco para me perfumar, os telefonemas, os abraços quentinhos... Tenho-me lamentado muito, eu sei, acho que está na hora de começar a agradecer mais e a retribuir. Prometo tentar estar mais atenta, a todos, e dar-vos mais, sobretudo sorrisos! Como costuma dizer uma querida amiga que me deu a mão na noite e no dia de Natal, flores e beijos! E um abraço com muita ternura! Obrigada!...

27.12.09

Lugares e histórias de amor

Hoje passei o dia a passear em Viseu, com três amigas muito especiais, entre sorrisos, recordações e novidades. Viseu é uma cidade linda, sobretudo com o frio e com as iluminações de Natal. Acho que é mesmo uma cidade de Inverno! Já conhecia um pouco, mas hoje redescobri-a com outro olhar, mais atento e curioso. Caminhámos imenso, com tempo e calma, na zona histórica, perto do rio, visitámos o Museu Grão Vasco (recuperado há poucos anos com um projecto de Eduardo Souto de Moura e lindíssimo!). As pessoas são acolhedoras, sentia-se uma magia no ar, um sentimento de tranquilidade e alegria que nos contagiou. Por isso, hoje, posso dizer que me senti... feliz! Fiquei especialmente comovida por saber que a minha amiga M. está apaixonada e tão, tão feliz! Desejo o melhor para ela, pois merece e muito! É emocionante ouvir uma história de amor tão bonita, em que o destino ganha uma força tão grande, onde e quando menos se esperava. Parece que ganhamos uma nova esperança na... vida! Adorei!

3.12.09

As cores da vida

Queria amiga Guida,
passados tantos anos da nossa troca de correspondência, hoje apeteceu-me novamente escrever-te. Hoje não sei a tua nova morada, mas sei que lerás esta carta na mesma. Tenho-me lembrado muito de ti, mesmo muito, mais do que imaginas e do que te digo, porque hoje estamos um pouco mais longe, embora eu te continue a sentir sempre perto no meu coração. É curioso como podemos estar anos sem ver e sem falar com alguém, mas continuarmos a senti-lo tão perto, tão presente.
Escrevo-te para te dizer que marcaste a minha vida. As tuas palavras ficaram gravadas para sempre na minha memória. Entre muitas outras, recordo as que utilizaste para começar uma dessas muitas cartas, guardadas num baú especial: "tu existes?"... Dizias-me sempre, com um sorriso e os olhos humedecidos, que admiravas a minha forma de ver o mundo, dizias que eu via tudo "cor-de-rosa" e que isso era lindo, dizias para eu nunca deixar de ver o mundo com esse meu olhar. Eras mais velha, mais experiente, das pessoas mais inteligentes que conheci até hoje, e eu tentava perceber essa tua admiração, porque para mim era óbvio que o mundo era cor-de-rosa!....
Hoje, amiga, penso em ti. Apetece-me dizer-te que cresci, que descobri com a vida que o mundo é de muitas cores, de todas as que existem. Descobri que o mundo é da cor que o quisermos pintar, mas que há momentos em que outro alguém o pinta por nós, muitas vezes numa cor que não gostamos e que queremos a toda a força mudar... Ou será que somos nós que o pintamos e não nos apercebemos? Ou não queremos perceber?... Como vês, as perguntas continuam, isso não muda e penso que não mudará. Descobri também que a vida só faz sentido se conseguirmos viver intensamente tudo o que cada cor tem para nos dar, viver intensamente os momentos felizes e viver de forma igual os infelizes. Só assim podemos sentir que vivemos, verdadeiramente. Sabes, amiga, percebi também que a minha cor preferida é o branco. Pelo meu apelido, que uso orgulhosamente como a herança mais preciosa da minha família, mas pela serenidade que representa e que consegui encontrar em alguns (poucos) momentos. Alguns deles partilhaste comigo. Lembras-te da caminhada a pé a Fátima, em 1998? Poucas vezes senti a paz e a serenidade que senti naquela noite, na vigília, no Santuário. Como esses, outros momentos se seguiram, todos marcantes, todos de uma beleza incomparável. Ultimamente, a minha vida tem sido a busca pelo branco, por essa paz no coração. Sei que um dia a voltarei a encontrar, talvez nas coisas mais simples e inesperadas.
Saudade, muita saudade, da tua, sempre, amiga.

5.11.09

Cheirinho bom

Um miminho a meio do dia: rosas apanhadas do jardim pela E. Ainda tinham gotas de chuva e é pena ainda não poderem sentir o cheiro através do computador: é absolutamente divinal! Aquele cheiro a rosa verdadeira, e este é daquele mesmo intenso! Adoro e tinha saudades de sentir uma coisa tão boa! Obrigada, querida E., pelo carinho! Vou ficar estragada com tanto mimo!... Apeteceu-me deixar um poema sobre...

...AS ROSAS

Rosas que desabrochais,
Como os primeiros amores,
Aos suaves resplendores
Matinais;

Em vão ostentais, em vão,
A vossa graça suprema;
De pouco vale; é o diadema
Da ilusão.

Em vão encheis de aroma o ar da tarde;
Em vão abris o seio úmido e fresco
Do sol nascente aos beijos amorosos;
Em vão ornais a fronte à meiga virgem;
Em vão, como penhor de puro afeto,
Como um elo das almas,
Passais do seio amante ao seio amante;
Lá bate a hora infausta
Em que é força morrer; as folhas lindas
Perdem o viço da manhã primeira,
As graças e o perfume.
Rosas que sois então? – Restos perdidos,
Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha
Brisa do inverno ou mão indiferente.

Tal é o vosso destino,
Ó filhas da natureza;
Em que vos pese à beleza,
Pereceis;
Mas, não... Se a mão de um poeta
Vos cultiva agora, ó rosas,
Mais vivas, mais jubilosas,
Floresceis.


Machado de Assis, in "Crisálidas"

12.10.09

Surpresa

Poder ver a diva do Jazz, ontem, foi uma surpresa inesperada e um momento especial. A voz, a simpatia, o ambiente intimista, o jogo de cores, a luz, o baixo e, o mais bonito, o piano. Uma noite para ficar na memória, porque a amizade é, sem dúvida, o que de mais bonito existe e resiste.

20.8.09

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