Ainda me sinto nas nuvens. Ou melhor, com os pés na terra, mas na de África. Hoje disseram-me que África é como o colo de uma mãe. Talvez seja isso, sim. Se for, eu quero voltar a ser criança para nunca mais sair desse colo. Sinto agora que sempre ali estive, que sempre estarei. Encontrei um sentido para o apelo que senti desde sempre e que muitas vezes não compreendia. Os cheiros, as cores, os olhares, as mãos, a pele, a música, a dança, o ritmo, o calor… tudo me enche a alma e me prende lá, ainda. E o céu estrelado como nunca vi na última noite que lá passei… Ou o pôr-do-sol sobre as dunas partilhado com a Maria da Luz e a Matilde… Tudo me prende, tudo me liberta. Em África senti-me livre, como nunca antes me tinha sentido.
Sou forçada a regressar aos poucos a um mundo que quase não reconheço. Não consigo dormir, sonho que ainda lá estou. Vejo-me rodeada de todos aqueles meninos e sorrio. Não consigo parar de sorrir. Estou lá, ainda e sempre. Agora sei.




