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3.6.10

Incompreensão


A vida continua a pregar-me partidas. Sempre quando menos espero. Sempre duras. A pôr-me à prova. Em pleno momento de preparação de uma viagem especial, que começa amanhã e representa a concretização do sonho de uma vida, eis que o telefone toca, novamente para me sobressaltar. Ela não dá tréguas, não escolhe idades, credos ou contas bancárias. Parece que escolhe, apenas, as pessoas boas, aquelas que fazem tanta falta no mundo. Pelo menos no meu mundo. Hoje está difícil aceitar. Todas as mortes são dolorosas, mas há umas mais cruéis que outras. Há algumas que não fazem sentido, que nos fazem pôr tudo em causa, que nos fazem questionar. O que andamos aqui a fazer, afinal? Para quê viver se um dia, muitas vezes tão rápido, tudo se esvai sem podermos fazer nada? Para quê?!... Não consigo entender, não consigo encontrar respostas. Sei apenas que há mais uma pessoa que (re)encontrarei um dia e a quem poderei, finalmente, dizer o quanto amo. Até sempre, primo Zé!

6.5.10

Porque...


...todos os sonhos têm um princípio, mesmo que o tenhamos perdido no tempo... porque um sonho que é sonho se vive, se sente e se instala nos nossos dias até que não lhe podemos mais dizer que não... porque um sonho nunca se esquece, fica ligado ao nosso coração por um cordão umbilical invisível mas tão forte como o que une um filho à mãe... e um dia sentimos um puxãozinho, uma voz lá no fundo a chamar por nós e a dizer "está na hora"... porque um sonho é um guia, um farol, um refúgio, um caminho, um porto de onde se parte e outro onde se quer chegar, um pirilampo imortal, uma certeza, a certeza do que somos e do que queremos fazer para que o mundo seja, simplesmente, um lugar mais belo!

28.4.10

Imagens

Hoje não estou a conseguir inserir aqui nenhuma imagem, mas não faz mal, nem sempre as palavras têm que vir associadas a imagens. E para além disso, torna-se muito mais divertido imaginarmos nós próprios uma imagem para as palavras que lemos. Assim, de uma só palavra, pode surgir uma infinidade de imagens, já pensaram nisso? É giro fazer esse exercício.
Há dias que começam mal e acabam bem. Há momentos em que nos focamos nas dores, no mau-humor, na desmotivação e tudo parece negro. E de repente, às vezes sem percebermos porquê, acontece uma transformação. Algo muda em nós. Muda o foco. E tudo parece mudar também. "Às vezes basta mudar a cadeira para mudar a perspectiva". E hoje senti muito isso. Vi as coisas por outro prisma, agi, falei, quis mudar e mudei também. E percebi que tenho dentro de mim todos os sonhos do mundo e que os quero construir, um a um, passo a passo, devagar ou a correr, mas quero. Já estou a construir alguns, outros ainda vão nascer, aos poucos. Sou muito mais do que fui até aqui. Posso muito mais do que fiz. Tenho muito mais para dar. Quero ser mais e melhor. E vou ser.

23.4.10

Há dias...

...bons e outros menos bons.
Hoje bastava...

...uma colher de alegria...
...uma colher de ternura...
...uma colher de afecto...
...uma colher de amor...

...tão pouco, para que o dia fosse melhor.

21.4.10

É passo a passo...



...que construímos o caminho...

20.4.10

Em Junho...

...no país dos embondeiros...

17.4.10

Casa...

...da saudade...

"aqueles que, pela sua palavra, hão-de crer em mim
partiram para muito longe, o tempo continuou nos
ramos mais altos das árvores, como um céu triste."

José Luís Peixoto

14.4.10

Pedaços...


...de momentos de descanso, longe do mundo, em comunhão com a natureza e comigo própria.
Sabor a mar, a peixe, a pão fresco pendurado na porta, a madeira, a rosmaninho e alecrim, a passarinhos a cantar só para mim, a leituras, a pensamentos, a descobertas, a sonhos, a saudades, a música, a flores, a sol, a conchas, a luz da manhã a beijar-me o rosto... sabor a tudo e a nada... a amargo e a doce... sabor a vida!...

24.3.10

Aprendi

23.3.10

Esta noite...


...voltei a sonhar...

21.3.10

Renovação


Gosto desta imagem porque me lembra o ciclo da vida e porque retrata uma das árvores mais bonitas para mim, a magnólia. Relaciono sempre a Primavera com o florir das magnólias do jardim dos meus pais. As de folha caduca, embora não sejam as mais bonitas, dão flores antes das folhas, e é lindo vê-las cheias de flores rosas e lilases penduradas nos ramos aparentemente secos e velhos, mas que de um dia para o outro se cobrem de folhas que lhes fazem companhia. O cheiro faz-me lembrar sabonete, de tão doce e intenso que é. Hoje estavam ainda mais bonitas com o reflexo dos raios de um sol ainda tímido, mas já bem quente, a comemorar uma Primavera muito desejada...

19.3.10

Pintar a vida

Imagem: Weheartit

Não me aconteceu nem fiz nada de especial, mas hoje sinto-me bem, como já não me sentia há muito tempo, só porque sim. Estou viva, posso dizer que tenho saúde, tenho pessoas que me amam mesmo que às vezes eu teime em não ver que sim, tenho um emprego e tenho dentro de mim a capacidade de (re)escrever a minha vida e de ser feliz. Não chega, quero muito mais, mas isso depende de mim. Sou capaz de mais, acredito que sim e, aos poucos, sinto que alguma coisa começa a renascer no meu coração e na minha alma. Ainda bem que amanhã vou outra vez à aula de pintura, apetece-me mexer nos pincéis e pintar cores bonitas e alegres para dar as boas-vindas à Primavera!

16.3.10

Hoje...

...quero ler até adormecer de exaustão.

12.3.10

Secrets

E depois há dias assim. Em que nos sentimos frágeis, fracos, pequenos demais, invisíveis para todos os que estão à nossa volta e para nós mesmos. Dias em que sentimos falta de ser amados, dias em que faltam palavras, sons, cheiros, cores, sabores, e aquela sensação tão boa de sonhar e de achar que todos os sonhos que sonhamos são possíveis, mesmo que sejam disparatados ou (quase) impossíveis de realizar. Há dias em que não temos mais palavras para dizer o que sentimos e em que percebemos que por mais palavras que utilizemos nenhuma tem sentido ou impacto. Há dias em que percebemos que somos apenas mais uma pessoa no mundo e não fazemos a menor diferença, mesmo que às vezes, ilusoriamente, tenhamos pensado que sim. Há dias em que nem o sol a brilhar nos tira esta tristeza do peito. Dias, apenas mais dias.

8.3.10

Magia em forma de berlinde

Hoje passei num sítio que me traz boas memórias. Quando era pequena costumava ir para o rio com a minha ama. Enquanto ela lavava a roupa, eu brincava na água, que na altura era límpida e onde havia peixinhos cinzentos pequeninos, atrás dos quais não me cansava de andar, embora eles se escondessem sempre em recantos escuros onde eu tinha medo de pôr a minha mãozita. Na altura, aquele era um sítio mágico. Tenho péssima memória, mas, curiosamente, lembro-me perfeitamente daquele lugar, tão bem como se lá estivesse mesmo agora, a sentir o fundo do rio coberto de seixos redondos e lisos debaixo dos pés. Era um lavadouro de cimento feito de uma forma artesanal,  só com as pedras lisas onde se esfregava a roupa, muito simples, tão simples que parecia fazer parte da paisagem. Estava construído mesmo ao pé de uma ponte relativamente recente em forma de meia lua, debaixo da qual passávamos ou onde nos abrigávamos quando a chuva resolvia pregar uma partida. Na altura da construção, alguém tinha deixado umas marcas no cimento que sempre me intrigaram. Havia também uns desenhos que alguém tinha feito já mais tarde, mas eu não compreendia o que queriam dizer. Ainda hoje gostava de lá voltar para as rever e tentar entender. Lembro-me que não passava muito para lá da ponte porque o rio começava a afundar e eu tinha bastante medo. Às vezes assustava-me e lá vinha a correr por entre a água a gritar pela minha ama. Debaixo da ponte as nossas palavras faziam eco, e era muito divertido brincar com os sons que se iam formando à mercê da nossa imaginação. Naquele sítio havia sempre silêncio, um silêncio bom, de comunhão com a natureza, de paz. Naquela altura raramente passavam carros na ponte, de vez em quando alguém de bicicleta ou a pé, e havia sempre um bocadinho de conversa para quem parava a descansar. Uma das coisas que adorava nessas "viagens" ao lavadouro era quando a garrafa verde de lixívia estava quase a chegar ao fim e a Celeste me tirava os berlindes que vinham no fundo para eu brincar. Era uma festa! Não jogava ao berlinde, como os meus colegas faziam, porque não gostava, mas inventava outras brincadeiras. Ficava muitas vezes a olhar para aquelas bolinhas de vidro e pensava como seriam feitas. A Celeste nunca me soube responder e eu imaginava milhares de maneiras para criar aqueles efeitos dentro das bolinhas. Como se punham aquelam "fitinhas" coloridas lá dentro?... Nunca descobri a resposta porque, confesso, me esqueci dos berlindes. Mas hoje, ao passar por cima daquela ponte e ao ver o lavadouro, agora abandonado, coberto de silvas e sem hipótese de se conseguir ver o rio, lembrei-me daqueles momentos em que fui tão feliz enquanto menina. E encontrei a resposta... Aqui fica! É impressionante, mas, mesmo assim, na minha cabeça continuo a perguntar "como se conseguem pôr aquelas fitinhas coloridas lá dentro?"... E continua a ser magia...

1.3.10

Respirar

Já mais calma, quero agradecer a todos os que me enviaram mensagens de apoio e de carinho. Posso dizer que o meu irmão está bem, apesar do susto e da aflição de ontem. Hoje já estamos mais calmos, dentro do possível, e graças a Deus há-de ficar tudo bem. Quem me conhece sabe que sou uma irmã "leoa", por isso o meu desespero de ontem. Hoje ouvi muito boa música, fechei-me na cozinha e fiz uma massa espectacular, comi por ontem e por hoje, vi o "Cinema Paraíso", o filme mais lindo de sempre, e chorei imenso, por isso já estou melhor. O tempo cura todas as feridas, embora não faça esquecer o que as abre. Como canta Sinatra, that's life. Envio de coração cada uma das minhas tulipas, que estão tão bonitas, a todos os que estiveram comigo nos momentos mais angustiantes. Obrigada!

27.2.10

Estou...


...profundamente abalada. Quero, simplesmente, apagar este dia da minha memória. Logo hoje, que estava a fazer um workshop que aguardava há tanto tempo e que estava a pensar espairecer um pouco por outras paragens, mas a vida mostra-me cada vez mais que é assim mesmo, implacável, não escolhe horas nem dias para nos apanhar de surpresa. O medo de perdermos as pessoas que mais amamos é indescritível, a aflição dos segundos a passar sem notícias, a volta no estômago, a dor em todos os sítios do nosso corpo, a cabeça que parece explodir, o coração apertado, a sensação de não termos noção do que estamos a fazer ou do que se passa à nossa volta... Quero esquecer e não voltar a sentir o mesmo nunca mais de tão doloroso que é. Já senti muitas dores, mas como esta não há nenhuma, faz-nos esquecer tudo o resto por completo. Graças a Deus, dentro do mal posso dizer que está tudo bem, mas não respirar de alívio, porque a tensão ainda não deixa. Só quero tentar adormecer e amanhã acordar mais leve.

22.2.10

Entre mundos


Não é a primeira vez que partilho aqui esta música, mas é apenas porque a adoro e porque, em dias como o de hoje, preciso tentar voar nas asas de um anjo para bem longe daqui, para um mundo só meu, onde me sinta feliz e em paz, o que tem sido agora difícil neste. Porque há dias como o de hoje, em que sorrio enquanto choro por dentro, em que os olhos procuram e não encontram, em que a luz se desvanece, em que as palavras não chegam, em que o tempo não passa e tudo é em vão. Porque há dias assim, em que simplesmente tudo o que preciso não tenho. Porque há dias assim, quero apenas dormir e sonhar.


So tired of the straight line
And everywhere you turn
There's vultures and thieves at your back
And the storm keeps on twisting
You keep on building the lies
That you make up for all that you lack

(...)
You're in the arms of the angel
Maybe you find some comfort here

Esta palavra saudade...