3.6.10
Incompreensão
6.5.10
Porque...

28.4.10
Imagens
23.4.10
Há dias...
21.4.10
20.4.10
17.4.10
14.4.10
Pedaços...
24.3.10
23.3.10
21.3.10
Renovação
19.3.10
Pintar a vida
16.3.10
12.3.10
Secrets
8.3.10
Magia em forma de berlinde
Hoje passei num sítio que me traz boas memórias. Quando era pequena costumava ir para o rio com a minha ama. Enquanto ela lavava a roupa, eu brincava na água, que na altura era límpida e onde havia peixinhos cinzentos pequeninos, atrás dos quais não me cansava de andar, embora eles se escondessem sempre em recantos escuros onde eu tinha medo de pôr a minha mãozita. Na altura, aquele era um sítio mágico. Tenho péssima memória, mas, curiosamente, lembro-me perfeitamente daquele lugar, tão bem como se lá estivesse mesmo agora, a sentir o fundo do rio coberto de seixos redondos e lisos debaixo dos pés. Era um lavadouro de cimento feito de uma forma artesanal, só com as pedras lisas onde se esfregava a roupa, muito simples, tão simples que parecia fazer parte da paisagem. Estava construído mesmo ao pé de uma ponte relativamente recente em forma de meia lua, debaixo da qual passávamos ou onde nos abrigávamos quando a chuva resolvia pregar uma partida. Na altura da construção, alguém tinha deixado umas marcas no cimento que sempre me intrigaram. Havia também uns desenhos que alguém tinha feito já mais tarde, mas eu não compreendia o que queriam dizer. Ainda hoje gostava de lá voltar para as rever e tentar entender. Lembro-me que não passava muito para lá da ponte porque o rio começava a afundar e eu tinha bastante medo. Às vezes assustava-me e lá vinha a correr por entre a água a gritar pela minha ama. Debaixo da ponte as nossas palavras faziam eco, e era muito divertido brincar com os sons que se iam formando à mercê da nossa imaginação. Naquele sítio havia sempre silêncio, um silêncio bom, de comunhão com a natureza, de paz. Naquela altura raramente passavam carros na ponte, de vez em quando alguém de bicicleta ou a pé, e havia sempre um bocadinho de conversa para quem parava a descansar. Uma das coisas que adorava nessas "viagens" ao lavadouro era quando a garrafa verde de lixívia estava quase a chegar ao fim e a Celeste me tirava os berlindes que vinham no fundo para eu brincar. Era uma festa! Não jogava ao berlinde, como os meus colegas faziam, porque não gostava, mas inventava outras brincadeiras. Ficava muitas vezes a olhar para aquelas bolinhas de vidro e pensava como seriam feitas. A Celeste nunca me soube responder e eu imaginava milhares de maneiras para criar aqueles efeitos dentro das bolinhas. Como se punham aquelam "fitinhas" coloridas lá dentro?... Nunca descobri a resposta porque, confesso, me esqueci dos berlindes. Mas hoje, ao passar por cima daquela ponte e ao ver o lavadouro, agora abandonado, coberto de silvas e sem hipótese de se conseguir ver o rio, lembrei-me daqueles momentos em que fui tão feliz enquanto menina. E encontrei a resposta... Aqui fica! É impressionante, mas, mesmo assim, na minha cabeça continuo a perguntar "como se conseguem pôr aquelas fitinhas coloridas lá dentro?"... E continua a ser magia...3.3.10
1.3.10
Respirar
27.2.10
Estou...

...profundamente abalada. Quero, simplesmente, apagar este dia da minha memória. Logo hoje, que estava a fazer um workshop que aguardava há tanto tempo e que estava a pensar espairecer um pouco por outras paragens, mas a vida mostra-me cada vez mais que é assim mesmo, implacável, não escolhe horas nem dias para nos apanhar de surpresa. O medo de perdermos as pessoas que mais amamos é indescritível, a aflição dos segundos a passar sem notícias, a volta no estômago, a dor em todos os sítios do nosso corpo, a cabeça que parece explodir, o coração apertado, a sensação de não termos noção do que estamos a fazer ou do que se passa à nossa volta... Quero esquecer e não voltar a sentir o mesmo nunca mais de tão doloroso que é. Já senti muitas dores, mas como esta não há nenhuma, faz-nos esquecer tudo o resto por completo. Graças a Deus, dentro do mal posso dizer que está tudo bem, mas não respirar de alívio, porque a tensão ainda não deixa. Só quero tentar adormecer e amanhã acordar mais leve.
22.2.10
Entre mundos
Não é a primeira vez que partilho aqui esta música, mas é apenas porque a adoro e porque, em dias como o de hoje, preciso tentar voar nas asas de um anjo para bem longe daqui, para um mundo só meu, onde me sinta feliz e em paz, o que tem sido agora difícil neste. Porque há dias como o de hoje, em que sorrio enquanto choro por dentro, em que os olhos procuram e não encontram, em que a luz se desvanece, em que as palavras não chegam, em que o tempo não passa e tudo é em vão. Porque há dias assim, em que simplesmente tudo o que preciso não tenho. Porque há dias assim, quero apenas dormir e sonhar.
So tired of the straight line
And everywhere you turn
There's vultures and thieves at your back
And the storm keeps on twisting
You keep on building the lies
That you make up for all that you lack
(...)
You're in the arms of the angel
Maybe you find some comfort here





